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Professor destaque da FEBRACE 2014, Ricardo Fonseca fala com a gente em entrevista

Qual foi a sua maior motivação para se tornar professor?

Creio que a vontade de mudar o mundo, mostrar como podemos olhar de forma diferenciada ao nosso redor, dizer para os outros que, se quisermos, tudo é possível. Foi um sonho que ocorreu há 34 anos atrás, contra a família, contra tudo e todos, vim para o Nordeste e com o passar do tempo vi que não podia mais deixar, ficou entranhado no meu DNA.

 Como foi trabalhar com projetos de pesquisa e inovação na educação básica?

Muito difícil no início, com relação aos gestores e professores, por aqui não se acredita em pesquisa, muito menos pesquisa na educação básica, quebramos paradigmas, meus próprios colegas caçoam das minhas ideias e prestam um desserviço. Mas com os alunos a coisa é outra, cada aula é única, eles vibram demais, acreditam na mesma intensidade, hoje meus alunos são filhos ou até netos dos que quando comecei, virou um caso de família.

 Qual o maior desafio dos professores hoje segundo a sua opinião?

As drogas e a competição com a NET, por isso temos que utilizar as redes sociais e postar os comentários, vídeos, aulas, como querem ser celebridade serão sim, mas pelo esforço, por isso posto todos os prêmios e conquistas, para que eles se voltem para a sala de aula na intenção de saírem nas mídias. Com relação as drogas peço que não as usem, que é bem melhor se drogarem com bons livros, chocolate amargo, namorando, desenvolvendo projetos científicos voltados, principalmente, para o bem comum, tenho orgulho de dizer que eles seguem este norte e nunca tivemos problemas.

Em contraponto do maior desafio, qual o melhor aspecto de ser um professor?

O Professor é uma autoridade, um espelho, geralmente quando me pedem carteira em uma blitz, perguntam: Se o senhor é alguma autoridade se identifique, eu digo: Em sala de aula sou sim. O reconhecimento é o ponto maior, muitas vezes recebemos abraços nas ruas de pessoas que nem nos lembramos, ficamos enrolando até que alguma dica seja dada e a pessoa diz: O senhor foi meu professor em Quixadá, no ano de 1983 (por exemplo). Eu não me lembrava mais dele mas ele lembrava-se de mim, então fui importante em algum momento na vida desta pessoa. O professor pode ajudar a fazer um cidadão ou um marginal, dependendo das palavras, do incentivo, então, eu formo cidadãos, que vão formar outros e acredito que com isso o mundo possa realmente mudar.

 Como foi ganhar o Prêmio Professor Destaque?

É de todos nós, não ganhei, todos ganhamos, sabe daquela história onde não tem perdedor, onde todos ganham, ganhou a FEBRACE porque entendeu que este prêmio deveria ser criado para valorizar todos nós e o que a FEBRACE diz todo mundo endossa, ganharam os alunos que acreditaram no professor e passaram a acreditar mais ainda, ganhou o Ceará, eu ganhei também porque as pessoas acreditaram que o que eu faço é a coisa certa, em diversos momentos eu tive dúvidas quanto a isso. Inenarrável a sensação, não acreditei até ver meus alunos correndo na minha direção, fiquei flutuando, para mim foi melhor que um ator ganhar um Óscar, um artilheiro fazer um gol nos últimos segundos e seu time ganhar o campeonato, foi o reconhecimento de uma vida inteira, e olha que uma semana antes, um colega de profissão me disse que nada destes trabalhos significavam coisa alguma, que eu era um sonhador abestado, eu não precisei responder todos os que fazem a FEBRACE responderam por mim. Ainda nem consegui dormir de tanta felicidade, choro sempre que me lembro, mas entreguei ao Mestre Jesus e ao Nosso Pai estas conquistas, foi de Deus que partiu a ideia deste presente único.

Quais são seus planos para o futuro, academicamente falando?

Se eu sair para o Doutoramento, pois estou terminando o Mestrado e só não terminei porque estou envolvido com muitos projetos, as coisas não vão mais continuar, então vou permanecer abastecendo este sonho, as aulas para as Olimpíadas aos sábados continuam, os projetos continuam, as coisas vão permanecer da mesma forma até o dia que eu ainda conseguir dar uma aulinha. Não tenho outros planos só continuar o que faço, agora, com mais amor ainda.

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Escola Politécnica da USP e 3M lançam Programa de Formação de Professores na Pratica das Ciências

Inscrições abertas para professores da região de Campinas vão até dia 12 de março

O Programa de Formação para a Prática das Ciências, lançado no último dia 26 de fevereiro, integra o Desafio de Inovação Instituto 3M, que tem como principal objetivo a formação de professores para a prática das ciências e a orientação de projetos investigativos realizado por estudantes da educação básica.

O programa é dirigido aos professores da educação básica e técnica da região de Campinas e as inscrições podem ser feitas até o dia 12 de março pelo site www.febrace.org.br/desafiodeinovacao3m.

O objetivo principal é abordar a questão da investigação científica, seus métodos e materiais, fontes de consulta e apresentação de resultados, propiciando a vivência da investigação científica por meio de práticas, e estimulando o professor a propagar esta vivência com seus alunos.

Com disponibilidade de 100 vagas na modalidade semipresencial, os objetivos do curso são basicamente fornecer ferramentas para auxiliar o professor na sua prática de desenvolvimento de projetos científicos e prepara-lo para apresentações de projetos em feiras de ciências.

As atividades presenciais estão divididas em nove interações, sendo uma delas a participação na II Mostra de Ciências e Tecnologia do Instituto 3M.

Os momentos de educação à distância do curso oferecem uma ampla autonomia e flexibilidade de estudos aos cursistas, facilitando a ordenação e conciliação de suas atividades profissionais com a necessidade constante de formação.

O Programa ainda conta com professores tutores, para orientar e auxiliar os cursistas durante suas atividades à distância. A avaliação e certificação serão feitas pela FEBRACE e pela 3M.

O Desafio de Inovação Instituto 3M é uma iniciativa do Instituto 3M e da Escola Politécnica da USP, por meio do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI).

Sobre os apoiadores

3M

A 3M é uma companhia de tecnologia diversificada, presente em mais de 200 países, sendo a 3M do Brasil a 4ª maior subsidiária da empresa, tendo em 2012, registrado faturamento bruto de R$ 2,9 bilhões, desse total 70% são produtos fabricados em nosso país. Uma das prioridades da empresa é contribuir para o desenvolvimento da sociedade e atender prioritariamente pessoas de comunidades próximas às suas unidades através de iniciativas executadas por ela própria ou apoiando outras por meio, principalmente, do Instituto 3M.

Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola da Politécnica USP

O Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) foi fundado pelo Prof. Dr. João Antônio Zuffo em 1975, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e tem suas atividades de pesquisa e desenvolvimento centradas em sistemas computacionais integrados. Pioneiro em muitas áreas de pesquisa, o LSI tem forte parceria com a indústria e intensa cooperação com instituições estrangeiras.

As atividades do Laboratório envolvem pesquisa e desenvolvimento nas áreas de Saúde Digital, Sistemas de Visualização Interativa, Tecnologias Assistivas e de Reabilitação, Tecnologias para a Educação, Sistemas Computacionais Integrados, TV Digital, Microeletrônica e Microfabricação, entre outros.

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Ensino da Física no Brasil segundo Richard Feynman

Segue um texto extraído do livro “ O Senhor está Brincando, Sr. Feynman?” de Richard P. Feynman (físico norte americano  ganhador do prêmio Nobel de Física em 1965). Ele conta sobre sua experiência de ensino no Brasil na década de 50, mas muito do que está escrito nesse texto é bem atual e reflete a situação do ensino da Física.

Ensino da Física no Brasil segundo Richard Feynman

Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. Eu estava dando aulas para um grupo de estudantes que se tornariam professores, uma vez que àquela época não havia muitas oportunidades no Brasil para pessoal qualificado em ciências. Esses estudantes já tinham feito muitos cursos, e esse deveria ser o curso mais avançado em eletricidade e magnetismo – equações de Maxwell, e assim por diante.

Descobri um fenômeno muito estranho: eu podia fazer uma pergunta e os alunos respondiam imediatamente. Mas quando eu fizesse a pergunta de novo – o mesmo assunto e a mesma pergunta, até onde eu conseguia –, eles simplesmente não conseguiam responder! Por exemplo, uma vez eu estava falando sobre luz polarizada e dei a eles alguns filmes polaróide.

O polaróide só passa luz cujo vetor elétrico esteja em uma determinada direção; então expliquei como se pode dizer em qual direção a luz está polarizada, baseando-se em se o polaróide é escuro ou claro.

Primeiro pegamos duas filas de polaróide e giramos até que elas deixassem passar a maior parte da luz. A partir disso, podíamos dizer que as duas fitas estavam admitindo a luz polarizada na mesma direção – o que passou por um pedaço de polaróide também poderia passar pelo outro. Mas, então, perguntei como se poderia dizer a direção absoluta da polarização a partir de um único polaróide.

Eles não faziam a menor idéia.

Eu sabia que havia um pouco de ingenuidade; então dei uma pista: “Olhe a luz refletida da baía lá fora”.

Ninguém disse nada.

Então eu disse: “Vocês já ouviram falar do Ângulo de Brewster?”

– Sim, senhor! O Ângulo de Brewster é o ângulo no qual a luz refletida de um meio com um índice de refração é completamente polarizada.

– E em que direção a luz é polarizada quando é refletida?

– A luz é polarizada perpendicular ao plano de reflexão, senhor. Mesmo hoje em dia, eu tenho de pensar; eles sabiam fácil! Eles sabiam até a tangente do ângulo igual ao índice!
Eu disse: “Bem?”

Nada ainda. Eles tinham simplesmente me dito que a luz refletida de um meio com um índice, tal como a baía lá fora, era polarizada: eles tinham me dito até em qual direção ela estava polarizada.

Eu disse: “Olhem a baía lá fora, pelo polaróide. Agora virem o polaróide”.

– “Ah! Está polarizada”!, eles disseram.

Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.

Depois participei de uma palestra na faculdade de engenharia. A palestra foi assim: “Dois corpos… são considerados equivalentes… se torques iguais… produzirem… aceleração igual. Dois corpos são considerados equivalentes se torques iguais produzirem aceleração igual”. Os estudantes estavam todos sentados lá fazendo anotações e, quando o professor repetia a frase, checavam para ter certeza de que haviam anotado certo. Então eles anotavam a próxima frase, e a outra, e a outra. Eu era o único que sabia que o professor estava falando sobre objetos com o mesmo momento de inércia e era difícil descobrir isso.

Eu não conseguia ver como eles aprenderiam qualquer coisa daquilo. Ele estava falando sobre momentos de inércia, mas não se discutia quão difícil é empurrar uma porta para abrir quando se coloca muito peso do lado de fora, em comparação quando você coloca perto da dobradiça – nada!

Depois da palestra, falei com um estudante: “Vocês fizeram uma porção de anotações – o que vão fazer com elas?”

– Ah, nós as estudamos, ele diz. Nós teremos uma prova.

– E como vai ser a prova?

– Muito fácil. Eu posso dizer agora uma das questões. Ele olha em seu caderno e diz: “Quando dois corpos são equivalentes?” E a resposta é: “Dois corpos são considerados equivalentes se torques iguais produzirem aceleração igual”. Então, você vê, eles podiam passar nas provas, “aprender” essa coisa toda e não saber nada, exceto o que eles tinham decorado.

Então fui a um exame de admissão para a faculdade de engenharia. Era uma prova oral e eu tinha permissão para ouvi-la. Um dos estudantes foi absolutamente fantástico: ele respondeu tudo certinho! Os examinadores perguntaram a ele o que era diamagnetismo e ele respondeu perfeitamente. Depois eles perguntaram: “Quando a luz chega a um ângulo através de uma lâmina de material com uma determinada espessura, e um certo índice N, o que acontece com a luz?

– Ela aparece paralela a si própria, senhor – deslocada.

– E em quanto ela é deslocada?

– Eu não sei, senhor, mas posso calcular. Então, ele calculou. Ele era muito bom. Mas, a essa época, eu tinha minhas suspeitas.

Depois da prova, fui até esse brilhante jovem e expliquei que eu era dos Estados Unidos e que eu queria fazer algumas perguntas a ele que não afetariam, de forma alguma, os resultados da prova. A primeira pergunta que fiz foi: “Você pode me dar algum exemplo de uma substância diamagnética?”

– Não.

Aí eu perguntei: “Se esse livro fosse feito de vidro e eu estivesse olhando através dele alguma coisa sobre a mesa, o que aconteceria com a imagem se eu inclinasse o copo?”

– Ela seria defletida, senhor, em duas vezes o ângulo que o senhor tivesse virado o livro.

Eu disse: “Você não fez confusão com um espelho, fez?”

– Não senhor!

Ele havia acabado de me dizer na prova que a luz seria deslocada, paralela a si própria e, portanto, a imagem se moveria para um lado, mas não seria alterada por ângulo algum. Ele havia até mesmo calculado em quanto ela seria deslocada, mas não percebeu que um pedaço de vidro é um material com um índice e que o cálculo dele se aplicava à minha pergunta.

Dei um curso na faculdade de engenharia sobre métodos matemáticos na física, no qual tentei demonstrar como resolver os problemas por tentativa e erro. É algo que as pessoas geralmente não aprendem; então comecei com alguns exemplos simples para ilustrar o método. Fiquei surpreso porque apenas cerca de um entre cada dez alunos fez a tarefa. Então fiz uma grande preleção sobre realmente ter de tentar e não só ficar sentado me vendo fazer.

Depois da preleção, alguns estudantes formaram uma pequena delegação e vieram até mim, dizendo que eu não havia entendido os antecedentes deles, que eles podiam estudar sem resolver os problemas, que eles já haviam aprendido aritmética e que essa coisa toda estava abaixo do nível deles.

Então continuei a aula e, independente de quão complexo ou obviamente avançado o trabalho estivesse se tornando, eles nunca punham a mão na massa. É claro que eu já havia notado o que acontecia: eles não conseguiam fazer!

Uma outra coisa que nunca consegui que eles fizessem foi perguntas. Por fim, um estudante explicou-me: “Se eu fizer uma pergunta para o senhor durante a palestra, depois todo mundo vai ficar me dizendo: “Por que você está fazendo a gente perder tempo na aula? Nós estamos tentando aprender alguma coisa, e você o está interrompendo, fazendo perguntas”.

Era como um processo de tirar vantagens, no qual ninguém sabe o que está acontecendo e colocam os outros para baixo como se eles realmente soubessem. Eles todos fingem que sabem, e se um estudante faz uma pergunta, admitindo por um momento que as coisas estão confusas, os outros adotam uma atitude de superioridade, agindo como se nada fosse confuso, dizendo àquele estudante que ele está desperdiçando o tempo dos outros.

Expliquei a utilidade de se trabalhar em grupo, para discutir as dúvidas, analisá-las, mas eles também não faziam isso porque estariam deixando cair a máscara se tivessem de perguntar alguma coisa a outra pessoa. Era uma pena! Eles, pessoas inteligentes, faziam todo o trabalho, mas adotaram essa estranha forma de pensar, essa forma esquisita de autopropagar a “educação”, que é inútil, definitivamente inútil!

Uma palestra para as autoridades brasileiras

Ao final do ano acadêmico, os estudantes pediram-me para dar uma palestra sobre minhas experiências com o ensino no Brasil. Na palestra, haveria não só estudantes, mas também professores e oficiais do governo. Assim, prometi que diria o que quisesse. Eles disseram: “É claro. Esse é um país livre”.

Aí eu entrei, levando os livros de física elementar que eles usaram no primeiro ano de faculdade. Eles achavam esses livros bastante bons porque tinham diferentes tipos de letra – negrito para as coisas mais importantes para se decorar, mais claro para as coisas menos importantes, e assim por diante.

Imediatamente, alguém disse: “Você não vai falar sobre o livro, vai? O homem que o escreveu está aqui, e todo mundo acha que esse é um bom livro”.

– Você me prometeu que eu poderia dizer o que quisesse. O auditório estava cheio. Comecei definindo ciência como um entendimento do comportamento da natureza. Então, perguntei: “Qual um bom motivo para lecionar ciência? É claro que país algum pode considerar-se civilizado a menos que… pá, pá, pá”. Eles estavam todos concordando, porque eu sei que é assim que eles pensam.

Aí eu disse: “Isso, é claro, é absurdo, porque qual o motivo pelo qual temos de nos sentir em pé de igualdade com outro país? Nós temos de fazer as coisas por um bom motivo, uma razão sensata; não apenas porque os outros países fazem”. Depois, falei sobre a utilidade da ciência e sua contribuição para a melhoria da condição humana, e toda essa coisa – eu realmente os provoquei um pouco.
Daí eu disse: “O principal propósito da minha apresentação é provar aos senhores que não se está ensinando ciência alguma no Brasil!”

Eu os vejo se agitar, pensando: “O quê? Nenhuma ciência? Isso é loucura! Nós temos todas essas aulas”.

Então eu digo que uma das primeiras coisas a me chocar quando cheguei ao Brasil foi ver garotos da escola elementar em livrarias, comprando livros de física. Havia tantas crianças aprendendo física no Brasil, começando muito mais cedo do que as crianças nos Estados Unidos, que era estranho que não houvesse muitos físicos no Brasil – por que isso acontece? Há tantas crianças dando duro e não há resultado.

Então eu fiz a analogia com um erudito grego que ama a língua grega, que sabe que em seu país não há muitas crianças estudando grego. Mas ele vem a outro país, onde fica feliz em ver todo mundo estudando grego – mesmo as menores crianças nas escolas elementares. Ele vai ao exame de um estudante que está se formando em grego e pergunta a ele: “Quais as idéias de Sócrates sobre a relação entre a Verdade e a Beleza?” – e o estudante não consegue responder. Então ele pergunta ao estudante: “O que Sócrates disse a Platão no Terceiro Simpósio?” O estudante fica feliz e prossegue: “Disse isso, aquilo, aquilo outro” – ele conta tudo o que Sócrates disse, palavra por palavra, em um grego muito bom.

Mas, no Terceiro Simpósio, Sócrates estava falando exatamente sobre a relação entre a Verdade e a Beleza!

O que esse erudito grego descobre é que os estudantes em outro país aprendem grego aprendendo primeiro a pronunciar as letras, depois as palavras e então as sentenças e os parágrafos. Eles podem recitar, palavra por palavra, o que Sócrates disse, sem perceber que aquelas palavras gregas realmente significam algo. Para o estudante, elas não passam de sons artificiais. Ninguém jamais as traduziu em palavras que os estudantes possam entender.

Eu disse: “É assim que me parece quando vejo os senhores ensinarem ‘ciência’ para as crianças aqui no Brasil” (Uma pancada, certo?)

Então eu ergui o livro de física elementar que eles estavam usando. “Não são mencionados resultados experimentais em lugar algum desse livro, exceto em um lugar onde há uma bola, descendo um plano inclinado, onde ele diz a distância que a bola percorreu em um segundo, dois segundos, três segundos, e assim por diante. Os números têm Erros – ou seja, se você olhar, você pensa que está vendo resultados experimentais, porque os números estão um pouco acima ou um pouco abaixo dos valores teóricos. O livro fala até sobre ter de corrigir os erros experimentais – muito bem. No entanto, uma bola descendo em um plano inclinado, se realmente for feito isso, tem uma inércia para entrar em rotação e, se você fizer a experiência, produzirá cinco sétimos da resposta correta, por causa da energia extra necessária para a rotação da bola. Dessa forma, o único exemplo de ‘resultados’ experimentais é obtido de uma experiência falsa. Ninguém jogou tal bola, ou jamais teriam obtido tais resultados!”

“Descobri mais uma coisa”, eu continuei. “Ao folhear o livro aleatoriamente e ler uma sentença de uma página, posso mostrar qual é o problema – como não há ciência, mas memorização, em todos os casos. Então, tenho coragem o bastante para folhear as páginas agora em frente a este público, colocar meu dedo em uma página, ler e provar para os senhores.”

Eu fiz isso. Brrrrrrrup – coloquei meu dedo e comecei a ler: “Triboluminescência. Triboluminescência é a luz emitida quando os cristais são friccionados…”

Eu disse: “E aí, você teve alguma ciência? Não! Apenas disseram o que uma palavra significa em termos de outras palavras. Não foi dito nada sobre a natureza – quais cristais produzem luz quando você os fricciona, por que eles produzem luz? Alguém viu algum estudante ir para casa e experimentar isso? Ele não pode”.

“Mas, se em vez disso, estivesse escrito: ‘Quando você pega um torrão de açúcar e o fricciona com um par de alicates no escuro, pode-se ver um clarão azulado. Alguns outros cristais também fazem isso. Ninguém sabe o motivo. O fenômeno é chamado triboluminescência’. Aí alguém vai para casa e tenta. Nesse caso, há uma experiência da natureza.” Usei aquele exemplo para mostrar a eles, mas não faria qualquer diferença onde eu pusesse meu dedo no livro; era assim em quase toda parte.

Por fim, eu disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema de autopropagação, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada. “No entanto”, eu disse, “devo estar errado. Há dois estudantes na minha sala que se deram muito bem, e um dos físicos que eu sei que teve sua educação toda no Brasil. Assim, deve ser possível para algumas pessoas achar seu caminho no sistema, ruim como ele é.”

Bem, depois de eu dar minha palestra, o chefe do departamento de educação em ciências levantou e disse: “O Sr. Feynman nos falou algumas coisas que são difíceis de se ouvir, mas parece que ele realmente ama a ciência e foi sincero em suas críticas. Assim sendo, acho que devemos prestar atenção a ele. Eu vim aqui sabendo que temos algumas fraquezas em nosso sistema de educação; o que aprendi é que temos um câncer!” – e sentou-se.

Isso deu liberdade a outras pessoas para falar, e houve uma grande agitação. Todo mundo estava se levantando e fazendo sugestões. Os estudantes reuniram um comitê para mimeografar as palestras, antecipadamente, e organizaram outros comitês para fazer isso e aquilo.

Então aconteceu algo que eu não esperava de forma alguma. Um dos estudantes levantou-se e disse: “Eu sou um dos dois estudantes aos quais o Sr. Feynman se referiu ao fim de seu discurso. Eu não estudei no Brasil; eu estudei na Alemanha e acabo de chegar ao Brasil”.

O outro estudante que havia se saído bem em sala de aula tinha algo semelhante a dizer. O Professor que eu havia mencionado levantouse e disse: “Estudei aqui no Brasil durante a guerra quando, felizmente, todos os professores haviam abandonado a universidade: então aprendi tudo lendo sozinho. Dessa forma, na verdade, não estudei no sistema brasileiro”.

Eu não esperava aquilo. Eu sabia que o sistema era ruim, mas 100 por cento – era terrível!

Uma vez que eu havia ido ao Brasil por um programa patrocinado pelo Governo dos Estados Unidos, o Departamento de Estado pediu me que escrevesse um relatório sobre minhas experiências no Brasil, e escrevi os principais pontos do discurso que eu havia acabado de fazer. Mais tarde descobri, por vias secretas, que a reação de alguém no Departamento de Estado foi: “Isso prova como é perigoso mandar alguém tão ingênuo para o Brasil. Pobre rapaz; ele só pode causar problemas. Ele não entendeu os problemas”. Bem pelo contrário! Acho que essa pessoa no Departamento de Estado era ingênua em pensar que, porque viu uma universidade com uma lista de cursos e descrições, era assim que era.

Fonte: O Senhor está Brincando, Sr. Feynman? – Blog Physics Act

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UNESCO: O que é Educação para o Desenvolvimento Sustentável ?

O editorial reproduzido a seguir foi publicado no número 4 do informativo eletrônico Correio da UNESCO.

Clique aqui para conferir a edição completa com artigos voltados para o tema educação para o Desenvolvimento Sustentável no mundo.

Este editorial foi escrito por Nicholas Burnett, Diretor-Geral Adjunto da UNESCO para a Educação.

O que é Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS)?
É uma educação destinada a preparar o futuro. Ela pretende nos tornar capazes de enfrentar os principais desafios da atualidade: a proteção do meio ambiente, o respeito pela biodiversidade e a defesa dos direitos humanos.
Há pouco mais de 20 anos, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento lançava um apelo para que fosse adotado um “modo de desenvolvimento suscetível de responder às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de resposta das gerações futuras diante de seus próprios problemas”. Assim, encontrava-se resumida a essência do desenvolvimento sustentável: uma visão de longo prazo que nos incentiva a assumir nossas responsabilidades no presente e, ao mesmo tempo, no futuro.Esta tomada de consciência levou uma boa parte dos Estados-membros a adotar, em 2000, os oito Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento que visam a erradicar a pobreza extrema e a fome, a melhorar a saúde da mãe e da criança, a combater o HIV e a Aids, a concretizar o ensino primário para todos, a promover a igualdade entre os sexos e a garantir um meio ambiente sustentável. Ora, estamos convencidos de que, sem o apoio da educação, nenhum desses objetivos será alcançado; por isso, em 2005, procedeu-se ao lançamento da Década das Nações Unidas para a Educação em favor do Desenvolvimento Sustentável (DEDS).

Efetivamente, a EDS reorienta o aprendizado em vários níveis: em primeiro lugar, exige uma abordagem interdisciplinar, integrando as dimensões social, ambiental, econômica e cultural do desenvolvimento, assim como levando-nos a tomar consciência de nossa interdependência em relação às outras pessoas, ao mundo circundante e à natureza. Deste modo, ela pretende nos tornar capazes de enfrentar desafios da atualidade tais como proteção do meio ambiente, respeito pela biodiversidade e defesa dos direitos humanos. Ela facilita, também, o desenvolvimento tanto do pensamento crítico quanto da capacidade de decisão e de resolução de problemas, ao mesmo tempo que incentiva o diálogo, o trabalho em equipe e o espírito de iniciativa. Por último – e este é, sem dúvida, o aspecto mais importante –, ela faz sobressair as noções de paz, igualdade e respeito pelos outros, assim como pelos ambientes natural e social. Em outras palavras, ela visa a nos dar autonomia com a oferta de conhecimentos, competências e valores que façam de nós verdadeiros agentes da mudança.

A Conferência Mundial da UNESCO sobre a Educação em favor do Desenvolvimento Sustentável, realizada em Bonn (Alemanha), de 31 de março a 2 de abril, mostrou que numerosos países já implementaram quadros estratégicos inovadores em favor da EDS. A Década incentivou os países a repensar os objetivos da educação, os conteúdos dos programas escolares e as práticas pedagógicas em complementaridade com os esforços despendidos para realizar o Educação para Todos (EPT).

A Década tem engendrado uma série de iniciativas e de projetos que colocam em prática o EDS tanto no âmbito escolar quanto no extra-escolar. Apesar disso, os progressos permanecem desiguais e devemos perseverar na sensibilização do público em geral. Hoje, devemos juntar nossas energias para que a EDS seja estabelecida como linha diretriz que permita melhorar a pertinência e a qualidade da educação graças ao compromisso de dirigentes políticos, de estabelecimentos de formação dos docentes, de universidades e de outros importantes parceiros. Devemos, igualmente, tirar proveito de todas as oportunidades para insistir sobre a centralidade da EDS.

A educação deverá fornecer respostas para a crise atual

A crise financeira e econômica nos induz a aplicá-la sem mais tardar. Não conseguiremos reduzir a pobreza e construir sociedades mais equitativas, duradouras e focalizadas na paz se não dotarmos os indivíduos, em todas as épocas da vida, com conhecimentos, competências e valores que lhes permitam informar-se e tomar decisões de maneira responsável. Uma educação de qualidade que facilite a tomada de consciência, a abertura, a solidariedade e a responsabilidade deve fazer parte de qualquer resposta à atual crise mundial.

Como é demonstrado por esta edição do Correio, a mobilização de alunos, professores, escolas e comunidades para enfrentar os desafios sociais e ambientais constitui o primeiro passo para superá-los. Mas, acima de tudo, é necessário que os dirigentes e os tomadores de decisão estabeleçam as condições indispensáveis a fim de que a educação se oriente para a construção de uma maior equidade entre as sociedades.

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“Brasil só crescerá mais quando melhorar a educação, diz estudo”

Vale a pena ler o seguinte artigo:

Brasil só crescerá mais quando melhorar a educação, diz estudo.

A conclusão é de um estudo inédito do Banco Mundial, que será divulgado nesta quinta-feira, 10, em seminário promovido pela Fundação Lemann, que apontou os fatores da deficiência brasileira na área: ensino básico precário, que resulta em profissionais pouco qualificados, universidades distantes do setor produtivo e voltadas mais para conhecimento teórico do que prático e tradição em importar e adaptar tecnologias, em vez de criá-las.

Segundo Alberto Rodriguez, um dos principais autores do estudo, nesta semana no País para lançar o material, enquanto outros países em desenvolvimento, como China, Índia e Coréia, estão se transformando em países produtores de conhecimento graças a investimentos na formação de pesquisadores em áreas tecnológicas – e, com isso, alavancando sua economia -, o Brasil segue dependente de seus bens naturais, crescendo num ritmo menor. “Apenas 19% dos estudantes de ensino superior no Brasil estão nas áreas de ciências e engenharias. No Chile são 33% e na China, 53%”, afirma o relatório.

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