Em busca do conhecimento

Desde criança assistindo Star Trek e The Pretender com minha mãe, comecei a me interessar por ciências e pelos conhecimentos que estão disponíveis no universo. À medida que fui crescendo, cada vez mais esse interesse aumentou em diversas áreas: colecionava revistas de ciências, lia todos os artigos de jornais possíveis sobre aviões, brincava com kits de cientista (provei muitas leis de física assim), participava de olimpíadas e até escrevi até um livro de poemas na quarta serie. Como diz minha mãe, sempre tive o complicado gosto de duvidar de tudo aquilo que se considera estabelecido. E foi por conta desse “gosto” que surgiu a vontade de estudar no curso técnico de edificações no Cefet- MG.


Todo ano, esta instituição oferece bolsas do programa de iniciação científica Junior. Cabe a cada aluno interessado procurar um projeto que lhe pareça mais atraente e participar da seleção. Eu busquei por um que tratasse das matérias que mais gostava (matemática, física e hidráulica) e que também tivesse um cunho social expressivo. Logo encontrei o desafio que seria projetar um sistema de melhoria da qualidade da água para comunidades carentes utilizando métodos alternativos.

A princípio, o projeto parecia simples, porém, não demorei muito para encontrar problemas na execução: adaptações de cálculos para a garrafa pet, vazamentos, dias nublados, entre outros; mas, como disse muito bem Richard Bach, “não é o desafio que define quem somos nem o que somos capazes de ser, mas como enfrentamos esse desafio: podemos incendiar as ruínas ou construir através delas, passo a passo, um caminho que nos leve à uma verdade maior.” Eu não desisti. Empenhei-me bastante juntamente com meus professores orientadores para buscar soluções. Foram meses de muito trabalho, nunca pensei que renderia tanto. Conseguimos, além do processo de desinfecção com as garrafas Pet, projetar uma estação de tratamento completa! Não somente oferecendo a água melhorada microbiologicamente para a população, mas também tratando as águas cinza (todos os efluentes, com exceção do sanitário), devolvendo-as para o curso-d’água com qualidade superior a de entrada. Além do baixo custo, uso de métodos alternativos, sustentáveis (energia solar, reutilização de materiais, utilização de plantas aquáticas) e sem a adição de produtos químicos.

Minha trajetória nas feiras começou com a participação na Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações realizada no Cefet, em que conquistei, entre outros prêmios, a credencial para a FEBRACE e o primeiro lugar na categoria de engenharia. Já na FEBRACE, conheci um ambiente totalmente diferenciado: alunos e professores de diversos locais do país procurando respostas para a melhoria da sociedade e do meio ambiente. Todos empenhados em uma enorme busca por conhecimento e soluções. Foi fantástico e tenho que admitir que não imaginava que tantos alunos do mesmo nível que o meu (médio ou médio técnico) estavam envolvidos em pesquisas fascinantes. Foi também nessa feira que chorei muito nos dois dias de premiação e conquistei uma grande vitória (algo completamente inesperado): a credencial para participar da Intel ISEF, em San Jose, na Califórnia.


Quando me pediram para escrever esse texto, queriam que contasse minhas experiências em participação em feiras, mas eu ainda não tenho palavras suficientes para expressar a Intel ISEF. Sempre quis fazer algo que tivesse uma importância verdadeira para as pessoas e estar ali era a prova de que isso era possível. Posso dizer que os conhecimentos adquiridos no exterior, assim como os relacionamentos com os estudantes de outros países, abriram ainda mais os horizontes, modificando minha visão de mundo.

Hoje, estou me empenhando para passar no vestibular em um dos cursos que sempre sonhei e continuar realizando pesquisas. Além de ter a vontade de poder ver a estação de tratamento de água e efluentes que projetei sendo efetivamente aplicada em algum lugar do nosso país e cumprindo com sua real motivação: melhorar a qualidade de vida de uma população e ajudar na integração da mesma com o meio que a cerca de forma consciente e sustentável.

Enfim, com essa trajetória aprendi que toda a nossa ciência, comparada à realidade, é primitiva e inocente e, portanto, é o que temos de mais valioso; e que a verdadeira felicidade não reside na ciência, mas sim, na aquisição da mesma. Não é a toa que todo conhecimento começa com intuições, passa aos conceitos e termina com ideias.

Digo a todos os sonhadores jovens pesquisadores: toda realidade não é nada além de um sonho de outrem e cada sonhador é, sem saber, um Deus. Nunca desistam.

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3 Comentários

Arquivado em FEBRACE, Feiras de Ciência, Opinião

3 Respostas para “Em busca do conhecimento

  1. Adorei o blog, pra mim ele virou uma fonte de cohecimento.

    Obrigado!

  2. a melhor aluna de engenharia do Brasil

    PRÊMIO JOÃO MARIA DE LIMA PAES VAI PARA ALUNA DA UFPA

    http://www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=4374

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