Jovens brasileiros criam projeto de baixo custo para deficientes visuais e são finalistas de competição internacional

Pesquisadores da USP criam identificador de cores de baixo custo para deficientes visuais e precisam de apoio para vencer uma competição internacional de empreendedorismo social

Enxergar cores não é apenas uma questão estética. Pessoas portadoras de deficiências visuais não conseguem reconhecer cores, nem notas de dinheiro. Esta capacidade é importante para uma boa qualidade de vida porque as torna independentes, elevando a sua auto-estima. Porém, esta deficiência as impede de trabalhar em muitas áreas, e, uma vez que a maioria destas pessoas são de baixa renda, necessitam de uma solução de baixo custo.

No mundo, há 314 milhões de pessoas com algum tipo de problema visual, sendo que 45 milhões destas são cegas (OMS, 2009). Além disso, 87% delas vivem em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, sendo 25 milhões só no Brasil. Cerca de 29% dos brasileiros com problemas visuais (7.25 milhões) vivem com menos do que um salário mínimo por mês (IBGE, 2009). No Brasil, aparelhos identificadores de cores custam de R$600,00 a R$1200,00, o que é um custo altíssimo para a maioria das pessoas que dependem dele.

Foi pensando nisso que Nathalia e Fernando criaram a Auire, uma empresa social que propõe projetos acessíveis que ajudem a população. Seu primeiro projeto é um identificador de cores e dinheiro de baixo custo para pessoas com deficiência visual.

A solução é um aparelho portátil que fala a cor de um objeto ou o valor da nota de dinheiro. As notas de dinheiro no Brasil são de diferentes cores, o que permite o uso dessa propriedade para identificá-las.

O projeto foi inscrito para o programa de incubação inaugural do Unreasonable Institute e foi um dos 42 finalistas. O instituto oferece um programa intensivo de treinamento, incubação, apoio e financiamento a jovens empreendedores de todo mundo para transformar em realidade projetos com foco social ou ambiental. Os selecionados passarão 10 semanas na sua sede em Boulder, Colorado, EUA, para aprender como colocar suas idéias em prática. Ao final, terão contato direto com 200 investidores. Para chegar à etapa final, os empreendedores tiveram que superar 285 competidores e provar que o projeto pode tornar-se autosuficiente em um ano, atingir 1 milhão de pessoas e expandir-se para fora de seu país de origem em menos de três anos.

Agora, eles devem passar por uma nova etapa. O programa de incubação custa US$6.500,00 por projeto. Porém, os empreendedores não podem pagar diretamente por ele. Cada um deles deve arrecadar doações para sua idéia. Em cada semana haverá um limite para doações por pessoa (US$10,00 na primeira), para que seja atingido o maior número de pessoas possível. Serão selecionados os primeiros 25 empreendedores que alcançarem o objetivo. Para apoiar o projeto da Auire, basta acessar a página dos finalistas no site do instituto a partir do dia 22 de janeiro e fazer sua doação.

Sobre a competição

O Unreasonable Institute é uma ONG internacional que incuba negócios sociais de alto impacto. A edição inaugural do programa de incubação reuniu 284 competidores, de 6 continentes e de 45 países. Na última etapa 42 finalistas concorrem a 25 vagas através do processo de “crowd-sourcing”.

Sobre os fundadores

Fernando de Oliveira Gil é Engenheiro de Computação formado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, atualmente cursa mestrado em Engenharia Elétrica – Sistemas Digitais na mesma instituição. É pesquisador do Grupo de Análise de Segurança (GAS-USP) e membro da Comissão do Programa Poli Cidadã. Atua nas áreas de segurança de sistemas tráfego aéreo e desenvolvimento de tecnologias sociais. Já realizou projetos em comunidades carentes nos estados de São Paulo, Tocantins e Mato Grosso do Sul em parceria com estudantes do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA. Foi campeão do Prêmio Ser Empreendedor 2007.

Nathalia Sautchuk Patrício é Engenheira de Computação formada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, atualmente cursa mestrado em Engenharia Elétrica – Sistemas Digitais na mesma instituição. É pesquisadora do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-USP), atuando nas áreas de desenvolvimento ágil de software e tecnologias socias. Foi desenvolvedora do projeto One Laptop Per Child (OLPC), o laptop de 100 dólares. Já realizou projetos em comunidades carentes no estado de São Paulo em parceria com estudantes do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA.

Contato: info@auire.com.br
Site Oficial: www.identificadordecores.com.br

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2 Comentários

Arquivado em Feiras de Ciência

2 Respostas para “Jovens brasileiros criam projeto de baixo custo para deficientes visuais e são finalistas de competição internacional

  1. christianjuniors

    é de se admirar um projeto desses. parabéns.

  2. Angelica

    Seu projeto é muito interessante.E vai ajudar muitas pessoas!Parabéns

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